domingo, 12 de março de 2017

A evasão escolar no Brasil


Professores brilhantes, alunos fascinantes 

A história da educação brasileira é constituída de muita falta de estrutura e de muita desigualdade, haja vista que os mais pobres não têm a possibilidade de custear um ensino privado. Nesse sentido, muitos jovens sofrem com essa situação de descaso, a ponto de preferirem fazer outras atividades a estudar. Diante disso, a falta de investimentos e a pouca valorização dos profissionais da educação são fatores cruciais para a constante evasão das escolas brasileiras. 

Nesse contexto, recentemente, o Presidente Michel Temer anunciou as novas medidas de reforma do Ensino Médio. O projeto busca flexibilizar as matérias que os alunos devem ter como forma de melhorar os índices que, até então, são muito ruins. Dessa forma, infelizmente, não transformará a crítica realidade, porque, enquanto o Governo não garantir os subsídios necessários, os alunos continuarão despreparados para ingressarem nas universidades, bem como muitos deles continuarão desestimulados, podendo abandonar os estudos como muito acontece. 

Nessa perspectiva, constrói-se uma sociedade limitada perante as exigências do mundo "Técnico- Científico- Informacional", como citado pelo geógrafo Milton Santos. Em face disso, por mais que os alunos tenham desejo de aprender e de construir um futuro melhor, lastimavelmente, são prejudicados junto a esse sistema desigual. Além disso, as escolas não têm bibliotecas preservadas e organizadas, as salas não são adequadas ao ambiente de estudo, os diretores e coordenadores são despreparados e, muitas vezes, pouco esforçados em cumprir seus deveres, os professores são pouco qualificados, desestimulados, recebem salários atrasados, não ganham uma assistência eficiente, entre outras questões. Tudo isso em conjunto faz com que os jovens deixem às escolas e fiquem à mercê da violência. 

À luz dessas ideias, é importantíssimo que o Estado faça mais investimentos inteligentes na educação, de modo que haja mais controle sobre a evolução dos alunos ao longo dos anos. Ademais, é fundamental a valorização do professor, visto que são eles que transmitem o conhecimento para os jovens, o que não se espera que seja propalado um conhecimento inadequado. Outrossim, é importante a participação popular, a fim de reivindicar mudanças consistentes para que os jovens do Brasil possam estudar com dignidade. 


domingo, 19 de fevereiro de 2017

Crônica: O perturbado que estuda!



Há semanas estou angustiado, não consigo desatar as amarras de minha mente. As ideias não estão acompanhando minha vontade. Talvez estejam brigadas. Talvez elas queiram o desquite do meu corpo. É nessa confusão de pensamentos que recordo de um momento curioso.

Recentemente, fui ao centro da cidade em direção à Biblioteca Pública para participar de um curso sobre as crônicas da Raquel de Queiroz. Ao andar pela rua movimentada, eu apressava o passo para fugir do barulho, do sol impiedoso e do medo constante de alguma fagulha de violência. Estava atordoado, não queria chegar atrasado, gosto de cumprir meus horários. É claro, entretanto, que minha história com o tempo se repetiu, cheguei cedo demais! O segurança acabara de abrir a biblioteca.

Para minha surpresa, o local não correspondia com o que eu imaginava. O prédio estava poído, as cores envelhecidas e uma completa sensação de desolação pairava pelo ambiente. É como se dentre todos os logradouros daquela região, este estaria órfão de leitores e usuários; um solilóquio que me consternou.

Aguardei o início da palestra. Foi quando na iminência de começar, chega uma figura, ao meu juízo, um pouco deselegante para o momento. Fitei-o estranhamente. Era um senhor barbado, cabelos longos, carregando uma mochila cheia de cacarecos, estava com mau cheiro, decerto, era um morador de rua. A confusão logo se deu com a chegada do segurança, que de algum modo, tentava impedir a presença do estranho.

Não sei como se chama, mas por que não Vincent Gauguin Byron Tchaikóvsky?

O segurança tenta interrompê-lo e pergunta: “Você se inscreveu no curso?”

Com espírito de revolta, bradou Vincent com altivez: “Chame a polícia, isto aqui é um local público, eu não preciso me inscrever, ora mais”.

Foi nessa troca de farpas que olhei rapidamente para minha estimada colega, que também correspondeu com um olhar de: “Nossa!”.

A palestra começou com sua presença, e o que mais me deixava interessado, além da história de Raquel de Queiroz, era a inteligência daquele homem. De um minuto para outro Gauguin interagia com a aula, falava de Dostoiévski, citava o movimento tropicália, lembrava da Ditadura Militar, entendia a expresão Traduttore, Traditore, dentre outras preciosidades. Contudo, como isso é possível? Qual a história daquele homem? Onde viveu? De onde vinha tanto saber? Seria apenas loucura de um desequilibrado?

Passei a fazer o que chamo de uma verdadeira exegese do saber humano nas suas mais diversas personificações. Era fascinante como a condição social em que ele vive, aparentemente, não foi crucial para torná-lo um ignorante, embora os traços animalescos de um vivente de rua ainda estivessem presentes.


Apesar disso, muitos loucos na história foram brilhantes com o conhecimento que tinham! Seria ele um desses? Não posso afirmar. Entretanto, como Rubem Alves me ensinou “Na feira das utilidades não há lugar para as coisas inúteis. Tudo nela se justifica pela utilidade. Sem ser capaz de realizar a obra para qual foi criado, o objeto não mais se justifica”.

 

A mente brilhante do desabrigado, sem dúvidas, merecia mais utilidade, merecia receber apoio para ampliar aquele saber. Quando algo torna-se inútil, descartamos no lixo. Este homem foi descartado, sua identidade foi perdida nas noites frias da escuridão das ruas.

 

E minhas ideias desobedientes? Bem, elas aprenderam que são úteis e que não querem seguir o mesmo destino daquele. Elas querem ilumina-lo e resgatá-lo de seu recôndito abismo mental. 


Sua divulgação só é permitida com a justa referência ao autor, Israel Viana, e ao seu local de origem atualidadesdemundo.blogspot.com.br

domingo, 12 de fevereiro de 2017

A importância da resiliência no convívio social e empresarial!




Enxerguem além do que estão vendo

O Brasil passa por uma recessão econômica bastante cruel para a renda das famílias e para os anseios dos mais jovens. Isso se deve à pouca contratação de funcionários pelas empresas, bem como às demissões, haja vista que o mercado não está favorável para possibilitar novas oportunidades para aqueles que aspiram ter sucesso. Dessa forma, as pessoas precisam se diferenciar perante o meio concorrido e buscar a resiliência é uma atitude fundamental para superar essas dificuldades. 

Nesse contexto, os jovens têm que aprender com aqueles que são referências, tanto no meio social, quanto no profissional. Com isso, perceberão que ter foco nos seus sonhos, de modo a buscá-los sob quaisquer circunstâncias, fará com que muitas oportunidades sejam conquistadas. As empresas estão buscando por profissionais que, além de um bom currículo, tenham uma autoestima elevada e, sobretudo, determinação. Afinal, isso é crucial para o crescimento da empresa e dos funcionários. Entretanto, é fato que nem todos possuem esse perfil, o que justifica as muitas reprovações em entrevistas de emprego.

Nessa perspectiva, o dito "Coach" está crescendo muito no Brasil. Esses profissionais, em suas palestras, estão buscando desenvolver diversas habilidades no público que delas participa. Dentre elas, destaca-se a resiliência, que permite ao instruído a capacidade de saber manter-se firme diante das dificuldades. Em face disso, muitos estão conseguindo angariar um futuro mais promissor. É válido ressaltar que aquela habilidade também é importante para o convívio social, tendo em vista que, em um país desigual, ser fiel aos seus ideais é um dos pré-requisitos básicos para superar as barreiras. 

À luz dessas ideias, "tenham o olhar de crianças, enxerguem o mundo como novidade, afastem-se da cegueira do adulto!", disse Rubem Alves no livro "Variações sobre o prazer". Dessa maneira, as pessoas agirão com curiosidade e determinação para ganhar o mundo que os cerca. Além disso, é significativo que participem de mais palestras motivacionais, pois infelizmente muitos não dão credibilidade. E aos que não podem pagar por essas consultorias, existem muitas que são gratuitas e de qualidade. Decerto, cabe à família e à escola incentivar os jovens para que alcancem seus desejos, mantendo a responsabilidade e a ética como alicerce para qualquer aventura pessoal. 




sábado, 4 de fevereiro de 2017

Resenha: Variações sobre o prazer, por Rubem Alves!

 

Título: Variações sobre o prazer
Autor: Rubem Alves
Editora: Planeta 
ISBN: 978-85-7665-567-1
Ano: 2011
Onde comprar: Clique Aqui

"Este livro traz a você, leitor, uma proposta: que tal se o prazer, em todas suas variações, se tornar o âmago de sua vida? Afinal, o paraíso é a exuberância do prazer. Os poemas da Criação sugerem que Deus criou o universo infinito só para nele plantar um pequeno jardim de delícias. Depois do trabalho de cada dia, diz o poeta, Deus parava, contemplava, sorria e dizia: "Ficou muito bom..."

Ao ler as páginas deste livro você se descobrirá caminhando ao lado de santo Agostinho, do revolucionário Marx, do filósofo Nietzsche e da cozinheira Babette. Personagens, reais ou fictícios, que viveram desfrutando do que acreditavam. Eles têm muito a nos inspirar. Deixe-se perder nas páginas deste livro e descubra as diversas variações sobre o prazer."

Rubem Alves é um escritor fantástico! Suas palavas são límpidas e repletas de profundidade. A filosofia, sem dúvidas, é o alicerce desta obra. Autores como: Nietzsche, Marx, Gaston Bachelard e Babette aparecem constantemente em suas citações, oferecendo-nos uma bibliografia respeitável. O livro apresenta as diversas variações sobre o prazer conforme elenca seus argumentos, o que é muito bom para aqueles que não estão acostumados com a interpretação de pesamentos filosóficos ou aqueles que não apreciam essa categoria. Dessa forma, Rubem Alves permite que o conhecimento que quer apresentar fique acessível à todos que buscam ter prazeres ao longo da vida. 

Entretanto, de imediato, imaginamos que esta obra funciona como uma ferramenta de ensino, a fim de nos proporcionar as orientações mais precisas de como ter prazer na vida. Contudo, o autor não objetiva isso, a maior lição que ele nos oferece é a liberdade. É isso mesmo. Ele quis com este livro escapar das amarras do academicismo, de modo a clarear nossa visão sobre os prazeres que existem, e que os temos, sem necessariamente buscá-los. 

Um ótimo exemplo é a comparação com as cozinheiras. Essas pessoas fazem comidas excelentes, acrescentam alegria todos os dias em nossas vidas, nos mantém saudáveis, embora,  elas não anseiam por isso. Simplesmente cozinham. Entretanto, as pessoas estão mais preocupadas com as receitas, com o famoso "tempero", com as técnicas utilizadas, com o tempo de preparo, tudo isso, em razão da busca pelo prazer da comida saborosa. Sendo que, de fato, o prazer está bem distante disso. Para Rubem Alves, o que faz uma cozinheira ter prazer é: sua resposta pela comida feita. Quando vamos para a casa de nossos avós, nós temos uma sensação muito boa. É a melhor comida. Você devora tudo, no entanto, sua avó só quer algo de você: sua felicidade em dizer que ficou satisfeito e que só não comeria mais porque não conseguiria. Ou seja, o prazer consiste em não se preocupar com os fins da comida ou com o que ela pode oferecer, mas consiste justamente na ocasião. Muitas vezes a comida não tem nada de especial em comparação com as outras, apenas é da vovó ou do vovô. E é isto que importa. Ninguém precisou fazer um estudo aprofundado de como existe prazer em se comer, você só comeu e pronto. 

O aforismo de Guimarães Rosa: "O que um dia vou saber, não sabendo, eu já sabia...". Uma verdade belíssima, você não precisa buscar a fórmula do prazer, e por mais que não descubra, você já conhece, pois está em você; nas coisas do mundo. O autor fala claramente que, quando adultos, ficamos cegos. Afinal, quem vê realmente o mundo são as crianças. Elas enxergam com anseio, olham tudo pela primeira vez, e por mais que elas não entendam que é um momento de prazer, elas já o conhecem. 

É um livro fascinante, meus caros, porém, eu aconselho a lerem após terem um pouco de conhecimento prévio sobre os autores que ele citara. Isso ajudará bastante no entendimento de alguns raciocínios. Quando eu estava lendo, tive que parar a leitura diversas vezes para saber um pouco sobre cada um deles. Caso não façam isso, estarão lendo palavras e não saberes. Só tenho que parabenizar o trabalho fantástico feito por Rubem Alves e também agradecer por ter escrito um livro que insere as cozinheiras, a cozinha, os alimentos, que até então eu só lia como referências ou como preciosismos de autores diversos. Lembrar dessas pessoas foi algo que honrou ainda mais a obra. 

Espero que gostem, boas leituras a todos e nos encontraremos no próximo domingo com mais uma publicação. O livro termina sem término, provando mais uma vez essa liberdade que o autor quis transmitir. E um ensinamento que levo para a vida: "Meu Deus, me dá cinco anos, me dá a mão, me cura de ser grande", disse Adélia. 

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Retorno das atividades

A partir deste ano estaremos publicando semanalmente aos domingos. Estaremos trazendo notícias de grande relevância, discussões sobre temas de redação para a prova do Enem e demais vestibulares e, a grande novidade, como solicitado pelos leitores, postaremos crônicas. Todos aqueles que desejarem ter seus textos publicados, basta enviar para nosso E-mail: atualidadesdemundo@gmail.com. Agradecemos pela compreensão de todos! Bons estudos! 

sábado, 1 de agosto de 2015

Mulher: uma construção midiática e cultural?


A historiografia sempre esteve em constantes mudanças de paradigmas. No entanto, por muitos séculos a escrita da história apresentou-se como algo sexista e excludente.  Um silêncio sobre a participação das mulheres em diversos fatos históricos importantes perdurou como forma de opressão. Somente em meados do século XX que inciou-se uma série de buscas para escutar as vozes de grupos minoritários esquecidos pela historiografia.
            Sendo raramente representadas em pinturas de guerras, as mulheres sempre foram presentes em diversas batalhas históricas. Durante o período revolucionário francês, várias mulheres pegaram em armas para lutarem em prol das mudanças, segundo documentos da época o mínimo de 80 guerrilheiras fizeram parte dessa revolução. Entretanto, após as guerrilhas, muitas tiveram o pedido de pensão para ex-combatentes negadas, pois “eram mulheres”, mostrando que o Exercito não reconhecia oficialmente a participação feminina nas lutas armadas.
            A opressão às mulheres é secular, está presente desde o momento em que foi definido o conceito de “gênero”, definir o que é homem e mulher não só separou biologicamente os dois, mas também impôs os papeis sociais de cada um e, consequentemente, estabeleceu a dominância de um sobre o outro, ou seja, a construção do gênero não é somente uma questão biológica, mas também política, social, e cultural. Além disso, há vários discursos que legitimam a desigualdade de gênero, como a mitologia, a religião, a ciência. Os mitos da Grécia antiga contam que, devido a uma curiosidade particular do sexo feminino, Pandora abriu a caixa e espalhou todas as desgraças pelo mundo; as religiões judaico-cristãs relatam que a expulsão do paraíso é culpa de uma mulher, Eva. Durante a primeira metade do século XX, vários estudos foram feitos no intuito de atestarem a debilidade mental da mulher, chegando a dizer que a mulheres não devem praticar esportes com contato físico, e que deveriam se preocupar com a vida caseira e materna, criando um controle sobre o corpo de homens e mulheres, procurando a conformação da sociedade e a legitimação de um discurso estatal muito comum no Brasil durante as décadas de 30 e 40.
            Normalmente os canais midiáticos procuram, ao retratar do universo das mulheres, construir uma imagem feminina sustentada nos pilares da beleza, sensibilidade e subserviência, implantando estereótipos que dificultam ainda mais o desenvolvimento da identidade feminina. A partir dessa criação imagética dos aspectos femininos, pode-se perceber que a misoginia e a homofobia mostram-se entrelaçadas e relacionadas diretamente ao machismo, pois muitos casos de homofobia contra homens homossexuais estão atrelados ao ódio às características consideradas femininas (fragilidade, delicadeza etc), justamente pelo fato dos homofóbicos entenderem a figura do gay como uma figura feminina e, logo, tratam-os como inferiores.

            Enfim, apesar da sociedade brasileira ter evoluído em reconhecer a violência contra mulher como algo comum e ilegal, ainda há uma forte presença das práticas misóginas no cotidiano. Diante disso, faz-se necessária uma serie de reformas políticas e educacionais em busca da inclusão feminina em diversos ambientes e cargos. Definir o papel desempenhado  historicamente pela mulher,  estudando a construção da identidade feminina e mostra as consequências da emancipação feminina. Além disso, estimular o empoderamento das mulheres é um grande passo para garantir a equidade de gênero.

Feminismo no Brasil: Ordem e Progresso

            

Nas décadas finais do século XX, iniciou-se no Brasil um período que unia várias mudanças de cunho social e político. No que diz respeito às mudanças sociais, a resistência apresentada pelas mulheres contra a ditadura, e a luta por direitos iguais aos dos homens ganharam um destaque que até os dias atuais merecem ser ressaltados, contudo, verifica-se uma completa falta de conhecimento, de grande parte da sociedade brasileira, para com o Feminismo. Com o intuito de explicar minuciosamente esse conceito, é necessário fragmentá-lo e analisar a construção histórica da luta Feminista no Brasil e, além disso, relacionar esse fenômeno com as alterações sociais existentes no decorrer dessa trajetória.

É válido elucidar, primeiramente, o que é o Feminismo em si, baseando-se na filósofa belga Françoise Collin que dividiu o Feminismo, a partir do processo de construção histórica, em três fases: a fase universalista; que preza pela igualdade e equiparação de direitos civis, políticos e sociais entre o homem e a mulher; a fase essencialista; que busca a criação da identidade feminina que busca a essência da mulher diferenciando-se do homem; e por fim, a fase pós-moderna, que se baseia no processo de desconstrução da cultura machista existente na sociedade.

No que diz respeito ao Brasil, o Feminismo é algo que se desenvolveu há pouco tempo, e ainda hoje, é muito mal visto por parte de grande parte das pessoas. Tal fato se justifica a partir da cultura machista que existe na sociedade brasileira, que acaba por, em alguns casos, mascarar e distorcer o real objetivo do movimento feminista. As primeiras manifestações realizadas por mulheres se iniciaram no século XIX, no qual, as mulheres exigiam mais espaços na sociedade da época, principalmente, no que concerne a busca por educação. Nesse período destaca-se a figura de Nísia Floresta, sendo ela, uma das principais responsáveis por organizar os protestos e, sobretudo, por fundar a primeira escola dedicada somente para mulheres. Por muito tempo, as manifestações cessaram e, só voltaram a aparecer na Era Vargas, diante de um sentimento de indignação em relação ás várias restrições impostas pelo governo ao voto feminino, mesmo que, a Carta Magna de 1934 garantisse esse direto às mulheres. A partir desse momento, a luta tornou-se cada vez mais intensa, e se fortificou com o passar do tempo, atingindo seu ápice durante o período da ditadura militar. Durante esse período, as lutas tornaram-se mais constantes, e, diante de uma sociedade que aspirava por mudanças, o movimento feminista ganhou força e passou a influenciar várias mulheres. A principal fonte de disseminação do movimento era a Associação de Mulheres, que através do jornal Nós Mulheres, buscava relatar e divulgar os assuntos ocorridos no cotidiano que não eram veiculados na imprensa, expondo sempre o pensamento feminista sobre todos os aspectos da sociedade.

Com o final da ditadura militar, o Feminismo pode se consolidar e tornar-se uma força política e, sobretudo, socialmente. Além disso, durante esse período de redemocratização ocorreu à mudança mais significativa do Feminismo no Brasil, tal mudança, se deu a partir da mudança do objeto de estudo do Feminismo, tendo em vista que, a partir de agora, a ideia do Feminismo não seria mais a equiparação dos direitos com o homem, mas sim, a busca por criar e enaltecer a identidade da mulher na sociedade brasileira. Partindo do que foi dito anteriormente no texto, esse momento da história significa a transição da 1ª para a 2ª fase, de acordo com o pensamento de Françoise Collin.

Na contemporaneidade, as lutas feministas se baseiam na denúncia e na resistência contra a violência doméstica, na qual, o maio símbolo de conquista a partir dessas lutas, foi à criação da Lei Maria da Penha. Outra conquista fundamental no ponto de vista político foi a retomada do projeto de conclusão da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, que visa auxiliar a mulher em todos os âmbitos. Ademais, outro indício do progresso do Movimento Feminista no Brasil, é o fato de que, pela primeira vez na história, existir uma presidente no Brasil, que representa uma ascensão da mulher na sociedade brasileira, que só tende a crescer com o passar do tempo, até que a inferioridade da mulher em relação ao homem deixe de existir.



sexta-feira, 17 de julho de 2015

Intolerância Religiosa: uma discussão sociológica e histórica sobre o assunto!


"Nenhuma delas, contudo, é capaz de apreender, compreender e explicar tal fenômeno a contento. A religião coloca-se como metáfora do real, como o manto que encobre e encanta a realidade humana. Porém, a natureza religiosa humana existe e revela um aspecto essencial e social da humanidade (Durkheim, 1996, p. 38).

Como bem disse o sociólogo do excerto acima, em outras palavras, a existência da religião é crucial para o entendimento da sociedade. Diante disso, buscaremos neste texto perpassar pelos principais fatos históricos que refletem a intolerância religiosa desde à antiguidade até à atualidade; adentrando assim em uma discussão cheia de pormenores, em que nem mesmo o tempo conseguiu saturar as marcas de um passado turbulento. 

A partir de 1549, o Brasil passou a receber jesuítas portugueses, cuja responsabilidade era de catequizar os índios que aqui estavam. Sendo assim, alguns nativos foram mais adeptos a essa circunstância e outros não aceitaram. Inclusive, como alternativa de defesa, acabavam por violentamente reprimir os cristãos. É nessa memória história que surge no Brasil o que hoje é conhecido como "Intolerância Religiosa". 

Os nativos mais "mansos" deixavam-se influenciar pelos pensamentos cristãos portugueses. Logicamente, que a religião desses indígenas não era totalmente deixada de lado, mas muitos dos posicionamentos dos jesuítas já estavam surtindo efeito. Os nativos menos "mansos" eram catequizados também, no entanto, com um pouco mais de esforço. Veja, os portugueses não iriam deixar de cumprir sua missão pelo simples fato de existirem povos que utilizavam de sua rebeldia para não aceitarem seus princípios. Então, quando um índio se recusava a aceitar a fé cristã, ele era severamente punido e forçado a aceitar.Alguns povos conseguiram por meio da força bruta expulsar os jesuítas, mas isso não acontecia sempre.

A intolerância religiosa dos portugueses perante a religião dos aborígenes foi, sem dúvidas, o primeiro episódio de uma série que ainda tem um longo período. A partir do século XVI, com o início da escravidão no Brasil, os negros oriundos do continente africano, onde as religiões presentes eram totalmente opostas ao que predominava no mundo, vivenciaram grandes atrocidades perante seus princípios. Sendo assim, quando esses negros chegaram, o Brasil já vivia um catolicismo muito forte, o que foi extremamente ruim para esses povos. Ora, além das péssimas condições de viajem dentro de uma caravela, além das humilhações sofridas e dos maus- tratos, os negros ainda tinham que suportar o fato de que muitos senhores de terras não aceitavam o culto às suas religiões originais; muitas vezes até puniam quem desobedecessem sua ordem. Alguns senhores deixaram seus escravos praticarem seus cultos como forma de evitar possíveis revoltas, contudo o preconceito e a discriminação eram muito presentes na sociedade, consequentemente, afetando a liberdade quase que única dessas pessoas. 

Outro grande marco histórico que podemos citar como intolerante, bem mais violento que todos os outros, foi o implemento do Nazismo Alemão. As atrocidades cometidas pelos arianos iam além das conquistas de guerra, era um verdadeiro matadouro humano. Os judeus foram aprisionados em campos de concentração, forçados a trabalhar e quando suas forças já eram quase que escassas, eram mortos de várias formas, dentre elas a mais perturbadora foi a câmara de gás. Entretanto, o que isso tem haver com nossa discussão de Brasil? Tudo. Ora, com a explosão da 2º Guerra Mundial e com o nazismo imperando, o Brasil foi palco, mais uma vez, implicitamente, da intolerância religiosa. Os judeus que aqui moravam eram transferidos para os campos de concentração, bem como negros (carregando consigo seus cultos) e até mesmo japoneses (Pelo fato de serem inimigos dos EUA e também pelas suas crenças religiosas), que estavam concentrados em um bom número no estado do Amazonas. Até hoje os filhos e netos desses japoneses pedem uma ressignificação por parte do Governo brasileiro, como forma de compensar as taxações datas a essas pessoas.

Com o fim da 2º Guerra Mundial em 1945, três anos depois, em 1948, surge a necessidade das religiões cristãs de estabelecerem uma unificação, de estabeleceram um diálogo mais próximo. Esse episódio ficou conhecido como Movimento Ecumênico. Acreditava-se que com esse movimento pudessem captar apenas algumas poucas religiões cristãs, tais como evangélica e ortodoxa. Entretanto, esse projeto ganhou força e novos horizontes, não é para menos que foi criado a CMI (Conselho Mundial das Igrejas), em que cerca de 350 tradições aderiram ao diálogo e possível unificação. Contudo, essas tradições não contemplavam as religiões Afros e, por isso, a CMI tentou angariar mais voos, chamando assim, algumas tradições africanas para participar desta organização. Não há dúvidas que foi uma passo muito grande para que a intolerância religiosa fosse combalida, mas apesar dos esforços em unificar, dialogar, esse movimento acabou perdendo força ao longo dos anos e, consequentemente, foi responsável pelo aumento da intolerância no Brasil e no mundo. 

As religiões Afro- brasileiras foram extremamente impactadas com isso, não obstante que muitas tradições, como o Candomblé e a Umbanda, tiveram que "aceitar" o sincretismo religioso. O povo brasileiro historicamente é muito preconceituoso e isso reflete diretamente naqueles que escolheram as tradições Afros, pois na sociedade essa pessoa é vista com maus olhos, é vista como imagem do demônio. Então, para amenizar essa repressão social, muitos aceitavam o proselitismo presente, um exemplo disso são as comparações entre figuras importantes nas religiões Afros em consonância com as Cristãs, como Oxalá (Jesus Cristo) e Xangô (São Gerônimo).

Apesar do Estado brasileiro ser laico, socialmente, essas pessoas sofrem bastante. Conseguir uma escola que não reprima o jovem por ser de outra religião, é algo bem difícil de se encontrar. Além disso, uma pessoa que queira arrumar trabalho e seja sabadista ou que tenha outras crenças fora a cristã, muitas vezes não são contratadas e quando são, rapidamente, são demitidas. 

A intolerância no Brasil e no mundo é muito forte. Recentemente, saíram nos jornais uma polêmica envolvendo a revista satírica Charlie Hebdo e os Muçulmanos. A problemática foi tão grave que a central da revista sofreu vários ataques, tendo um vasto prejuízo estrutural. O desrespeito da revista foi nítido em atacar os princípios da religião oposta, mas logicamente que a atitude desse povo também foi incoerente. A Lei da "Ação e Reação" de Newton é viável para esse exemplo de intolerância, ao aplicar uma força contra um objeto, essa mesma força retornará para o aplicador. Portanto, luta por luta, só dará mais luta. 

A tentativa de unificar as igrejas, de tentar manter uma harmonia entre os princípios de cada um é algo bem difícil de se executar, principalmente, quando o peso histórico influi nas tomadas de decisões. Até hoje existe uma tentativa de manter o ecumenismo, o caso mais recente foi com o Papa Francisco em um encontro pentecostal nos EUA, onde na ocasião ratificou a sua vontade em ver as igrejas unificadas. Contudo, enquanto isso não ocorre, portanto, deve-se ter algumas transformações mais urgentes. A primeira é que o Estado, no caso brasileiro, deve melhorar a educação, no sentido de que ela seja efetiva no que toca ao respeito ao próximo e ao zelo ao princípios de igualdade humana. Além disso, é necessário que hajam punições efetivas com todos os preconceituosos e intolerantes, pois desta forma evitaremos maiores constrangimentos por parte das pessoas de outras crenças. Ademais, retornamos à frase de início, mas desta vez em uma parte dela: "A religião coloca-se como metáfora do real, como o manto que encobre e encanta a realidade humana". A religião deve encantar a realidade humana e não deixá-la mais turbulenta, mas para isso é necessário a implementação dos princípios de igualdade e fraternidade. 

Atenciosamente, Presidente da Equipe Atualidades de Mundo Sr. Israel Viana de Albuquerque.








A intolerância religiosa e as suas raízes no Brasil


A Intolerância religiosa é um fenômeno secular no Brasil: quando as missões jesuíticas aqui chegaram, por volta do século XVI, impondo o catolicismo de maneira proselitista e atacando as crenças dos nativos, iniciava-se um novo ciclo de intolerâncias.  A partir de 1549, o desembarque dos primeiros padres jesuítas dava origem a uma serie de medidas etnocêntricas, fazendo com que muitas culturas indígenas fossem, apesar de persistirem ainda por muitos anos, aniquiladas diante do caráter etnocêntrico da colonização.
Em meados do século XVI, os primeiros escravos africanos chegaram no Brasil e como pessoas, possuíam crenças, nome, opiniões, valores, todos rejeitados pelo regime escravista. Ao decorrer dos anos, as religiões africanas foram sendo subjulgadas, os escravos foram batizados com nomes cristãos e iriam carrega-los pelo resto da vida. A própria Igreja Católica decidiu que o africano era passível de ser escravo, pois grande parte dos africanos da região norte da Africa eram mulçumanos e, desse modo, precisavam pagar pelos seus pegados na terra para terem a salvação após a morte. O famigerado Padre Antônio Vieira escreveu em seu “Sermão décimo quarto” que o sofrimento dos escravos africanos compara-se ao de Jesus Cristo: “A paixão de Cristo parte foi de noite sem dormir, parte foi de dia sem descansar, e tais são as vossas noites e os vossos dias. Cristo despido, e vós despidos; Cristo sem comer, e vós famintos; Cristo em tudo maltratado, e vós maltratados em tudo. Os ferros, as prisões, os açoites, as chagas, os nomes afrontosos, de tudo isto se compõe a vossa imitação...”. Desse modo, o padre ajudava a legitimar e a justificar ideologicamente o regime escravista.
A Constituição de 1824 estabelecia o catolicismo como religião oficial do Brasil imperial, permitindo a manifestação de outras crenças apenas no âmbito privado, desse modo, a perseguição às religiões de matrizes africanas apenas se fortificava. Além disso, as sedes brasileiras da inquisição católica repreendiam essas religiões, punindo seus praticantes e, desse modo, contribuindo para a construção da ideia de que essas religiões são bruxarias e estão relacionadas com entidades demoníacas.

a Constituição Cidadã de 1988 estabelece que o Brasil é um país laico, ou seja, o Estado não adota e nem incentiva nenhuma religião, tendo o dever de garantir o livre exercício dos cultos religiosos e a liberdade de consciência religiosa. Entretanto, mesmo com o direito à liberdade de expressão religiosa assegurado legalmente, ainda existem muitas perseguições às crenças alheias, como os casos de depredação de terreiros de umbanda. Enfim, se pode ser afirmado que Deus é um ser de existência majestosamente complexa, por que não se admite que ele/ela pode se manifestar de diferentes formas e em distintas culturas?

quinta-feira, 9 de julho de 2015

O humor politicamente incorreto: um combustível de preconceitos.

           
                                     (Imagem tirada do documentário "O riso dos outros.")

             Muito antes de certas pessoas terem noção do que é identidade racial e de gênero, elas já sabiam que o negro tem “cabelo ruim” e é “mal encarado”, ou que a homossexualidade é pecaminosa; isso porque os preconceitos são cultural e naturalmente implantados em nós, fortalecendo-os. E é a partir dessas concepções historicamente enraizadas na sociedade que as piadas do humor politicamente incorreto são feitas, utilizando-se de grandes meios de massa para disseminarem preconceitos sob a prerrogativa de que é apenas a utilização da liberdade de expressão.

 A utilização desse humor “politicamente incorreto” é histórica, o pesquisador e professor universitário Marco Aurélio Ferreira da Silva em seu livro “Humor, vergonha e decoro na cidade de Fortaleza (1850-1890)”, analisa a sociabilidade na cidade cearense a partir do uso do humor como forma de moralizar e excluir certos costumes na sociedade. O escárnio como ferramenta de tentativa civilizatória, influência da Belle Époque, era uma maneira eficaz de moralização social e, consequentemente, deu continuidade a um ciclo de preconceitos presente até hoje.

Como o comediante Danilo Gentili disse em entrevista ao documentário “O riso dos outros”: “Minha pretensão com a comédia nunca é denunciar, nunca é nada. É só destruir mesmo.” Ridicularizar é a base desse tipo de humor transgressor, é tornar ridículo o fato de ser negro, gay ou mulher, reproduzindo e alimentando preconceitos que, apesar de maioria serem criminalizados, estão presentes no cotidiano de qualquer cidade.

            Enfim, esse tipo deplorável de humor deve ser repreendido, os órgãos judiciais precisam analisar as piadas de cunho discriminatório e julgar os reprodutores, para que uma piada sobre um caso de estupro não venha a se tornar motivo de riso. Dando lugar a um humor inteligente e sagaz, satirizando os opressores ao invés dos oprimidos e promovendo uma reflexão profunda acerca da sociedade.

As faces da escravidão no Brasil

Quando se fala sobre a escravidão no Brasil, é necessário se ater a três fatores fundamentais: O processo histórico desde a chegada dos escravos nos portos brasileiros até a abolição da escravatura em 1988; A situação dos ex-escravos no período posterior à abolição; e principalmente, às três visões existentes relacionadas à escravidão.

´´  Era um sonho dantesco... o tombadilho/Que das luzernas avermelha o brilho./Em sangue a se banhar./Tinir de ferros...estalar de açoite.../Legiões de homens negros como a noite/Horrendos a dançar...`` Foi dessa forma que Castro Alves, conhecido como ´´ O Poeta dos Escravos ``,  retratou a dura realidade encontrada nos Navios Negreiros que transportavam os escravos que partiam do continente Africano em direção ao Brasil. De fato, a viagem era algo totalmente desumana, visto que, a superlotação e a falta de higiene presente nesses locais contribuíam com a proliferação de doenças. Após a chegada aos portos, os escravos seriam leiloados, e posteriormente, levados aos engenhos para trabalhar, principalmente, nos engenhos de Cana, aonde eram submetidos a um trabalho compulsivo, atrelado a condições de trabalho desumanas seguidas de castigos e punições.

Por muitos e muitos anos, a realidade desses escravos permaneceu da mesma forma, mesmo que, muitos foram os esforços desses escravos para tentar alterar sua realidade, sendo com a criação de quilombos, ou através de revoltas, o que se sabe é que, na grande maioria dos casos, a violência era o principal instrumento utilizado pelos senhores para reprimir as revoltas. Somente no período Imperial, o Brasil se mobilizaria para tentar alterar a realidade desses escravos. Com a aprovação do Bill Aberdeen em março de 1845, estava proibido o tráfico de escravos no Atlântico, além disso, a Marinha inglesa tinha o total direito de aprisionar e, nos casos mais extremos, bombardear os Navios Negreiros. A partir desse momento, iniciou-se o processo abolicionista brasileiro, com a elaboração de várias leis, dentre as quais, as principais são: A lei Eusébio de Queiróz; A lei do Ventre-Livre; A lei dos Sexagenários; e finalmente, a Lei Áurea, que fora sancionada no dia 13 de maio de 1988.

A partir da Abolição da Escravatura, inicia-se um processo de marginalização do negro, visto que, não existia nenhuma política que visasse à inclusão do negro na sociedade brasileira. Diante de tal situação, muitos negros se viram obrigados a rumar para as regiões mais afastadas do centro das cidades brasileiras. Esse processo se agravou ainda mais a partir de 1904, com a reforma urbana do Rio de Janeiro, proposta pelo presidente Rodrigues Alves. Vários cortiços foram demolidos, e os negros, passaram a se alojar nos morros do Rio de Janeiro. A situação dos ex-escravos só começa a melhorar, durante o Governo de Getúlio Vargas, no qual, inicia-se o processo de inclusão do negro, ao menos no ponto de vista Constitucional. É possível perceber essa inclusão, a partir de duas determinações da Constituição de 1934, são elas: O princípio de igualdade perante a lei; e a educação básica obrigatória, por parte do Governo, a todos os cidadãos considerados brasileiros.

O último fator apresentado para análise consiste nos três tipos de visões existentes em relação à escravidão. Contudo, é necessário primeiramente, entender que as análises aqui feitas, se formam no contexto em que a escravidão ainda perdurava no Brasil, ou seja, é necessário ter em mente, o pensamento existente na época.

A primeira visão se baseia no ideal de que a escravidão era necessária e que trazia benefícios a todos os participantes da sociedade, tendo em vista que, o trabalho escravo era produtivo e de fácil acesso a elite brasileira. O argumento utilizado a favor desse pensamento era que, devido ao fato de o país já estar acostumado a esse tipo de mão-de-obra, uma mudança seria algo que poderia afetar todas as segmentações da sociedade brasileira, e assim, a sociedade entraria em colapso. Um dos grandes defensores desse pensamento era o escritor cearense José de Alencar, que já no final de sua vida, diante das crescentes lutas abolicionistas existentes na época, se manifestou da seguinte forma: ´´A propagação entusiástica de semelhante idéia neste momento lembra a existência das seitas exterminadoras, que, presas de um cego fanatismo, buscam o fantasma do bem através do luto e ruína. Quanto pranto e quantas vidas custam às vezes o título vão por que almejam alguns indivíduos benfeitores da humanidade. ``

A segunda visão se divide em duas ideias centrais: A primeira se remete, aos indivíduos que defendem os princípios bíblicos que prezam pela igualdade dos seres humanos e pelo amor ao próximo. A segunda se baseia no princípio de que, é necessário que haja uma mudança no sistema trabalhista brasileiro, tendo em vista que, era necessário seguis os moldes Europeus e adotar o trabalho assalariado, para que o país se desenvolvesse de forma semelhante às potências Europeias.


Já a terceira visão, é destinada somente aqueles que sofreram e vivenciaram essa atrocidade, contudo, não cabe a mim falar sobre, visto que, nenhum conhecimento teórico se equipara a dor e ao sofrimento de vivenciar a escravidão na pele.

Libertação dos escravos nos EUA e no Brasil, igualdade ou utopia?


O significado da palavra escravidão pode denotar vários resultados, dentre eles o Dicionário Aurélio destaca: "Cativo, o que vive em absoluta sujeição a outrem" e "Súdito de um tirano". É bem verdade que essa submissão forçada para trabalho, mesmo que não receba àquela designação, é refletida pela história desde os tempos mais confins até os dias atuais. Entretanto, para entendermos o assunto de hoje, faz-se necessário compararmos dois momentos similares, porém paralelos no que toca ao resultado final de ambos os casos; a libertação dos escravos nos EUA e no Brasil tomaram rumos diferentes, apesar de que a pena utilizada para escritura desta história tenha sido a mesma.

O sofrimento que um negro, índio, mulato e escravo branco sofriam entre os séculos XVII e XVIII foram extremamente similares, apesar de em algumas regiões os maus tratos terem sido ainda mais intensos. Sendo assim, entramos em um discussão que permeia diferentes visões, haja vista que a história não pode ser descrita com clarividência, no entanto, podemos melhorar sempre a reconstrução deste quebra- cabeça. 

O tráfico negreiro para as regiões da América Espanhola, Inglesa e Portuguesa foi muito intenso durante séculos, porém, ao longo dos anos, com o desencadeamento de novos sentimentos opulentes, como também de conflitos, os negros aos poucos foram angariando mais direitos para eles. Diante disso, adentramos efetivamente no ponto de vista clímax deste texto, tendo em vista que esse "ganho" de direitos para os escravos não aconteceu de forma igualitária nas diferentes colônias da América.

Os Estados Unidos, dividido economicamente entre norte e sul, utilizou da mão de obra negra e indígena para a realização de trabalhos que eram rentavelmente importantes para o desenvolvimento tanto do senhor fazendeiro, quanto da nação. Perante isso, o norte, apesar de ter escravos, foi o primeiro a ter o sentimento de mudança, visto que suas relações comerciais com a Inglaterra e com outros países europeus eram bem mais consolidadas, o que de certa forma fez com que o pensamento dessas nações, virulentamente, influíssem no olhar daqueles cidadãos. Entretanto, era muito difícil mudar ou acrescentar legislações de modo que atingissem toda a população (norte e sul), haja vista que apesar de morarem na mesma nação os interesses eram um tanto divergentes e, por isso, a maneira que os norte americanos tiveram para dar mais condições de liberdade ao escravo foi criando "pequenos" direitos à essas pessoas. Dentre eles destaca-se: "Cláusula dos três quilos" (poderia ser considerado como pessoa, mas valendo 3 vezes menos que um homem branco). 


Talvez você esteja se perguntando, mas por que o norte queria acabar com a escravidão quando a permanência dessa era algo bem lucrativo? Ora, é como foi citado acima, a opulência do norte era ainda mais diferenciada, pois eles tinham mais influência dos países europeus, que justamente estavam buscando cada vez mais a industrialização. Sendo assim, o norte após ganhar mais força política e militar, como também após a inclusão do "Bill Arberdeen" (Captura de embarcações negreiras por parte dos Ingleses), fez com que o sul tivesse que iniciar uma batalha pela garantia deste sistema de trabalho, cuja série foi chamada de "Guerra de Secessão". 

Após a vitória do norte perante o sul, as autoridades americanas resolveram estipular políticas públicas que viabilizassem a inserção do ex-escravo na sociedade, tais como a oferta de pequenos lotes de terras para que o mesmo pudesse plantas e assim sobreviver, como também o direito a voto e a respeito pela população majoritária branca. 

Certo, mas aonde está o Brasil nesta história toda? Está justamente no fato de que apesar da escravidão ter sido muito parecida em termos de trabalho forçado, torturas e lucratividade, o término de cada ciclo foi diferente. Veja que os EUA deram assistência para esses libertos, no entanto, o Governo Brasileiro simplesmente aboliu a escravidão em 1888 e não criou NENHUM direito para esses ex-escravos. Não é para menos que a exclusão social no Brasil foi muito mais forte! É claro que essa exclusão também houve nos Estados Unidos, contudo foi de uma forma bem menos intensa, tendo em vista que esses homens livres tinham bem mais direitos garantidos pela Constituição. 

Assim, a marginalização do negro -principalmente -foi uma das grandes consequências desse erro político no tocante ao assistencialismo. A plenitude de um futuro melhor é sempre esperança de todos, seja rico, pobre, branco, negro, índio etc; entretanto, para os libertos da escravidão no Brasil a frase de Martin Luther King: We shall overcome someday” [“Um dia vamos superar”] é bem mais válida porque a essência do negro foi bem mais viva na história do Brasil do que na dos EUA. 

Uma temática como havia mencionado bem delicada, mas que merece sua escritura, afinal o preconceito, a escravidão no século XXI e as várias formas de exclusão social são reflexos, em parte, destes acontecimentos históricos que permeiam tanto nossas vidas, mas que por vários fatores deixamos entrarem no esquecimento. A Equipe Atualidades de Mundo espera que tenham gostado do texto e aguardamos vocês comentários, sejam para críticas ou elogios! Obrigado.

Atenciosamente, Presidente da Equipe Atualidades de Mundo Sr. Israel Viana de Albuquerque. 







terça-feira, 7 de julho de 2015

O racismo é um sujeito furtivo, dá a ilusão de que está diminuindo, mas sempre esteve ali. #Somostodosridiculos

                                                ( imagem feita pelo cartunista Carlos Latuff)

            No século das relações humanas voláteis, as redes sociais mostram uma nova forma de expressar empatia por uma causa. O crescente uso das “hashtags” como forma de mostrar posicionamentos é a confirmação da hipocrisia dos usuários. Enquanto jovens negros são sistemática e diariamente assassinados, a massa populacional mobiliza apenas os dedos para teclar.

           O recente caso da meteorologista Mária Júlia Coutinho, conhecida como Maju, revela a incoerência dos vários manifestantes virtuais, pois se reúnem no cyberespaço para expressarem o repúdio coletivo ao racismo e, em contrapartida, no cotidiano, não questionam o fato de que os negros não estão sendo bem representados nos canais midiáticos, não reconhecem os efeitos da escravidão e são contra a aplicação da lei de cotas, pois desestrutura a sociedade racialmente igualitária.

             As marcas da escravidão ainda tangem vários rumos na sociedade brasileira atual, a abolição inconclusa de 1888, cuja não apresentou nenhuma medida que garantisse a autonomia desses ex-escravos, acabou que por marginalizar os negros e seus descendentes. Desse modo, as barreiras construídas pelo preconceito racial e socioeconômico tornam a ascensão do afrodescendente uma exceção.  

            A criminalização do racismo, com a promulgação da Constituição Cidadã em 1988, teve um grande impacto social, a partir disso, construiu-se um racismo velado, furtivo, que prolifera o ódio na prerrogativa de que não existe preconceito algum, afinal, a democracia racial está consolidada, não é? Esse mito da democracia racial baseia-se na ideia de que a miscigenação tornou o país multicultural, extinguindo o racismo. A partir disso, nesse raciocínio, o preconceito racial se tornou um fantasma na sociedade, sendo inexistente até mesmo nas brincadeiras injuriosas e piadas já prontas feitas pelo humor politicamente incorreto.

            

Racismo Reverso: Só existe na terra do nunca!

                                 


                 Com a abolição da escravatura no dia 13 de Maio de 1888, findava-se um período que ficara marcado na história do Brasil e do povo negro principalmente. Por mais de 300 anos, os negros se viram como sendo inferiores em relação aos brancos, e durante todo esse tempo, foram oprimidos e ridicularizados em nome desse mau, que até hoje assombra a sociedade brasileira, denominado erroneamente por Racismo.

                    É muito comum ouvir certas pessoas falarem que atualmente, o racismo não se encontra mais tão presente na sociedade brasileira, visto que, vários são os fatores que contribuíram para moderar essa prática fútil e cultural, que se manifesta nos mais diversos segmentos sociais. É válido ressaltar também, que as pessoas adeptas desse pensamento, na grande maioria dos casos, por serem predominantemente brancas, fazem prevalecer outro pensamento, que aos poucos se fortalece cada vez mais. O chamado Racismo Reverso está sendo disseminado de forma muito rápida em alguns segmentos da sociedade brasileira, principalmente, no que diz respeito às classes de maior poder aquisitivo, já que, o Racismo não pode ser enfrentado como algo meramente racial, mas também, como algo totalmente relacionado ao fator social.

                       É necessário, portanto, compreender no que consiste essa ideia do Racismo Reverso, para assim, relacioná-lo ao contexto em que se encontra a sociedade brasileira. A princípio, esse conceito se baseia no fato de que o branco também sofre racismo, partindo do preceito de que, algumas vezes é possível observar, principalmente nas redes sociais, práticas ofensivas advindas de negros que partilham da chamada ´´Brancofobia`` (assim denominada pelos defensores desse conceito),  que consiste na aversão total ao branco. Ademais, os adeptos defendem o fato de que, aos poucos, essa aversão se tornará passiva de punição às pessoas que insultarem a prática da ´´Brancofobia``.


                O que essas pessoas desconhecem, é a real significação do Etnocentrismo, popularmente chamado de Racismo, já que, para se caracterizar o Racismo, é necessário que haja, acima de qualquer ação de insulto ou depreciação do outro, uma relação de poder, baseada em uma opressão construída e disseminada socialmente. Outro fator que pesa contra essa teoria, é o simples fato de que, toda vez que se pensa em Racismo no Brasil, há sempre uma relação histórica com a escravidão, algo que, seria impossível de se relacionar com o tal Racismo Reverso, tendo em vista que, em nenhum momento da história, houvera situação semelhante enfrentada pelos brancos. 

Ué, a escravidão não acabou?!


Hoje, dia 7 de julho de 2015, logo após vários incidentes no país, tais como: paralisação das atividades dos motoristas de ônibus em Fortaleza-CE, aumento das contas de energia como causa dos endividamentos de uma grande parcela da população etc; um homem- negro- foi tentar furtar um bar localizado no Jardim São Cristóvão em São Luís do MA, quando por ocasião do destino foi interrompido pela população local. Diante disso, umas das realidades mais bárbaras e cruéis que um ser humano- não fazendo julgamento aos seus atos- mas analisando a essência de vida, de corpo, de um mamífero dotado de uma das maiores armas que se pode ter, o raciocínio; foi coagido em público, de modo que foi amordaçado em um poste que havia na rua, sendo que além de espancado, chutado, humilhado, ferido, foi deixado despido para que todos pudessem fitá-lo.

Em relação a este assunto você talvez argumente que nosso Blog está tendo uma visão de "pena" perante um bandido, de "defesa" perante um ser ilegal. Entretanto, não estamos tentando julgar causa a causa, afinal não somos a justiça e, por isso, não nos é própria tal designação, no entanto, temos que ser diretos no que se refere a história. Ora, a criminalidade no Brasil que todos os dias os jornais falam é totalmente direcional às lembranças de um passado mal reciclado.

Após a abolição da escravatura em 13 de maio de 1888, os negros alforriados, tão alegres e saltitantes, logo tiveram suas feições alteradas e os sentimentos? devidamente maltratados. Isso acontece porque houve um erro grave por parte dos responsáveis na libertação dos escravos, que foi justamente a não concretização de uma política que ofertasse aos negros a possibilidade de inserção na sociedade patriarcalista brasileira. Diante de tal fato, essas pessoas, depois de anos escravizadas nas lavouras, nas jazidas de minério e nos trabalhos de ganho; foram participar, contra sua vontade, da escravidão pela sobrevivência, pela escravidão social. Agora, livres, sem empregos, sem moradias, comidas, roupas e apoios de quem quer seja, essas pessoas teriam a cara e a coragem para que essa liberdade ao menos lhe custasse um conto de réis. Contudo, dessa grande maioria, muitos morreram por não terem condições e oportunidades para sobreviver e outros tantos encontraram uma saída fácil, rápida e de sucesso pleno; refiro-me aos furtos, aos assassinatos por bens, aos sequestros de pessoas ricas.

Assim, a criminalidade que hoje é alvo de críticas para todo político que entra no governo- não querendo isentá-lo de culpa-  mas é notório que isso é um erro do passado que ainda é irradiado até os dias atuais. Certo, mas o que isso tudo tem a ver com a reportagem citada no início deste texto? A grande cereja do bolo que quero apresentar é que mesmo depois de anos de libertação dos escravos, depois de políticas de inserção do negro na sociedade, mesmo depois de novas gerações com uma educação bem melhor do que antigamente, ainda assim, o reflexo desse passado turbulento ainda bate na porta de nossas casas por meio dos noticiários.

Veja: Um homem negro, cometendo um ato ilegal e sendo julgado pelas mãos de "senhores" preso a um poste. Isso lembra o que? Exatamente o que está pensando.

Não defendo o erro dele em tentar roubar um bar, afinal isso é ilegal, mas também não concordo com a punição deferida sobre ele, até mesmo porque além de ser algo também ilegal, isso contamina ainda mais na sociedade um sentimento antigo, um tanto velado, mas que ainda está lisogenicamente em cada ser humano. Diante disso, as autoridades responsáveis, políticos, cidadãos e órgãos de segurança, devem, cada um, responder pelas suas responsabilidades. A política, meio detentor do poder formal (Autoridade) e efetivo (Aquisitivo), precisa fazer uso da máquina pública com mais mãos de mãe, para que assim o sistema carcerário seja eficiente, como também a segurança pública seja garantida em todas as esferas sociais. Além disso, a educação, cuja estrutura física (Estrutural), quanto química (Qualitativa, atrativa, inovadora) são primordiais para o desenvolvimento de um sentimento mais harmônico em sociedade; alcançando assim a pacificidade. Entretanto, a responsabilidade é só do Governo? Não. Cabe a população denunciar, de forma mais efetiva, os casos de assaltos, cabendo também a segurança pública atender quando solicitado, como também a população, rica em princípios familiares, disseminar a ideia para seus filhos de uma sociedade mais justa, igualitária, que luta efetivamente por seus direitos. Quanto a esses casos, a população deve fazer justiça com suas próprias mãos? A resposta é não. Afinal, já dizia a 3º Lei de Newton "Ação e reação", "caso uma força seja aplicada perante um corpo, essa mesma força será retornada ao aplicador". Sendo assim, bater, agredir, lutar como forma de "mudança, só trará mais bandidos e casos como este citado para a sociedade.

A discussão é ampla, é bem verdade, mas nossa Equipe está disposta a ouvir elogios e críticas, primando sempre pela livre escolha de posicionamento. Agradeço a todos que comentarem e entrarem nesta discussão tão calorosa. Abraços.

Atenciosamente, Presidente da Equipe Atualidades de Mundo Israel Viana de Albuquerque. 

segunda-feira, 6 de julho de 2015

O fênomeno de Afrodite





       Desde a Grécia Antiga, o ser humano tem apresentado preocupações em buscar a boa forma física. Ser belo era essencial, e, para a beleza, até era associada uma deusa: Afrodite. Mas o corpo deveria estar em equilíbrio com a mente, como dita o 'mens sana in corpore sano'.

       Hodiernamente, a mentalidade mudou, mas a preocupação estética permanece. Para alcançar o corpo perfeito, vale tudo. De cuidados pessoais a tratamentos clínicos de alto custo, o homem busca sempre estar de acordo com os padrões da beleza. A grande causadora e motivadora desse fenômeno é a mídia, que está sempre apresentando modelos corporais, como as mulheres frutas e os fisiculturistas. Mas até que ponto a busca pela beleza é tolerada e aceita?

       As pessoas, principalmente os jovens, buscam resultados imediatos. Em academias, por exemplo, eles fazem uso desenfreado de anabolizantes, correndo o risco de afetar a saúde física e mental, bem como outros produtos que prometem milagres. Outro exemplo é o caso das jovens anoréxicas e praticantes da bulimia, buscando, quase sempre, ingressar no mundo da moda como modelos. Elas enfrentam humilhações, competição entre as colegas e, em alguns casos, abusos sexuais. Mas o que vale é ser belo, certo? Não importa como.

       Deve existir um controle sobre as publicidades, proibindo-as de apresentarem modelos macérrimas, bem como sobre as agências de modelos. Na França e em outros países, há uma lei que proibe que as agências contratem modelos com menos de 50 quilos. Há, também, uma lei proibindo o uso excessivo de photoshop em publicidades e capas de revistas. A mídia deveria abrir espaço para as modelos 'reais'. Os anabolizantes deveriam ser vendidos para fins terapêuticos e sob prescrição médica, como anteriormente. Voltemos ao "corpo são, mente sã".

                                                                                                                 
                                                                                                                Victória Moura


                                                           (O texto foi escrito em 29 linhas e recebeu 960 pontos)