sexta-feira, 17 de julho de 2015

A intolerância religiosa e as suas raízes no Brasil


A Intolerância religiosa é um fenômeno secular no Brasil: quando as missões jesuíticas aqui chegaram, por volta do século XVI, impondo o catolicismo de maneira proselitista e atacando as crenças dos nativos, iniciava-se um novo ciclo de intolerâncias.  A partir de 1549, o desembarque dos primeiros padres jesuítas dava origem a uma serie de medidas etnocêntricas, fazendo com que muitas culturas indígenas fossem, apesar de persistirem ainda por muitos anos, aniquiladas diante do caráter etnocêntrico da colonização.
Em meados do século XVI, os primeiros escravos africanos chegaram no Brasil e como pessoas, possuíam crenças, nome, opiniões, valores, todos rejeitados pelo regime escravista. Ao decorrer dos anos, as religiões africanas foram sendo subjulgadas, os escravos foram batizados com nomes cristãos e iriam carrega-los pelo resto da vida. A própria Igreja Católica decidiu que o africano era passível de ser escravo, pois grande parte dos africanos da região norte da Africa eram mulçumanos e, desse modo, precisavam pagar pelos seus pegados na terra para terem a salvação após a morte. O famigerado Padre Antônio Vieira escreveu em seu “Sermão décimo quarto” que o sofrimento dos escravos africanos compara-se ao de Jesus Cristo: “A paixão de Cristo parte foi de noite sem dormir, parte foi de dia sem descansar, e tais são as vossas noites e os vossos dias. Cristo despido, e vós despidos; Cristo sem comer, e vós famintos; Cristo em tudo maltratado, e vós maltratados em tudo. Os ferros, as prisões, os açoites, as chagas, os nomes afrontosos, de tudo isto se compõe a vossa imitação...”. Desse modo, o padre ajudava a legitimar e a justificar ideologicamente o regime escravista.
A Constituição de 1824 estabelecia o catolicismo como religião oficial do Brasil imperial, permitindo a manifestação de outras crenças apenas no âmbito privado, desse modo, a perseguição às religiões de matrizes africanas apenas se fortificava. Além disso, as sedes brasileiras da inquisição católica repreendiam essas religiões, punindo seus praticantes e, desse modo, contribuindo para a construção da ideia de que essas religiões são bruxarias e estão relacionadas com entidades demoníacas.

a Constituição Cidadã de 1988 estabelece que o Brasil é um país laico, ou seja, o Estado não adota e nem incentiva nenhuma religião, tendo o dever de garantir o livre exercício dos cultos religiosos e a liberdade de consciência religiosa. Entretanto, mesmo com o direito à liberdade de expressão religiosa assegurado legalmente, ainda existem muitas perseguições às crenças alheias, como os casos de depredação de terreiros de umbanda. Enfim, se pode ser afirmado que Deus é um ser de existência majestosamente complexa, por que não se admite que ele/ela pode se manifestar de diferentes formas e em distintas culturas?

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