quinta-feira, 9 de julho de 2015


As faces da escravidão no Brasil

Quando se fala sobre a escravidão no Brasil, é necessário se ater a três fatores fundamentais: O processo histórico desde a chegada dos escravos nos portos brasileiros até a abolição da escravatura em 1988; A situação dos ex-escravos no período posterior à abolição; e principalmente, às três visões existentes relacionadas à escravidão.

´´  Era um sonho dantesco... o tombadilho/Que das luzernas avermelha o brilho./Em sangue a se banhar./Tinir de ferros...estalar de açoite.../Legiões de homens negros como a noite/Horrendos a dançar...`` Foi dessa forma que Castro Alves, conhecido como ´´ O Poeta dos Escravos ``,  retratou a dura realidade encontrada nos Navios Negreiros que transportavam os escravos que partiam do continente Africano em direção ao Brasil. De fato, a viagem era algo totalmente desumana, visto que, a superlotação e a falta de higiene presente nesses locais contribuíam com a proliferação de doenças. Após a chegada aos portos, os escravos seriam leiloados, e posteriormente, levados aos engenhos para trabalhar, principalmente, nos engenhos de Cana, aonde eram submetidos a um trabalho compulsivo, atrelado a condições de trabalho desumanas seguidas de castigos e punições.

Por muitos e muitos anos, a realidade desses escravos permaneceu da mesma forma, mesmo que, muitos foram os esforços desses escravos para tentar alterar sua realidade, sendo com a criação de quilombos, ou através de revoltas, o que se sabe é que, na grande maioria dos casos, a violência era o principal instrumento utilizado pelos senhores para reprimir as revoltas. Somente no período Imperial, o Brasil se mobilizaria para tentar alterar a realidade desses escravos. Com a aprovação do Bill Aberdeen em março de 1845, estava proibido o tráfico de escravos no Atlântico, além disso, a Marinha inglesa tinha o total direito de aprisionar e, nos casos mais extremos, bombardear os Navios Negreiros. A partir desse momento, iniciou-se o processo abolicionista brasileiro, com a elaboração de várias leis, dentre as quais, as principais são: A lei Eusébio de Queiróz; A lei do Ventre-Livre; A lei dos Sexagenários; e finalmente, a Lei Áurea, que fora sancionada no dia 13 de maio de 1988.

A partir da Abolição da Escravatura, inicia-se um processo de marginalização do negro, visto que, não existia nenhuma política que visasse à inclusão do negro na sociedade brasileira. Diante de tal situação, muitos negros se viram obrigados a rumar para as regiões mais afastadas do centro das cidades brasileiras. Esse processo se agravou ainda mais a partir de 1904, com a reforma urbana do Rio de Janeiro, proposta pelo presidente Rodrigues Alves. Vários cortiços foram demolidos, e os negros, passaram a se alojar nos morros do Rio de Janeiro. A situação dos ex-escravos só começa a melhorar, durante o Governo de Getúlio Vargas, no qual, inicia-se o processo de inclusão do negro, ao menos no ponto de vista Constitucional. É possível perceber essa inclusão, a partir de duas determinações da Constituição de 1934, são elas: O princípio de igualdade perante a lei; e a educação básica obrigatória, por parte do Governo, a todos os cidadãos considerados brasileiros.

O último fator apresentado para análise consiste nos três tipos de visões existentes em relação à escravidão. Contudo, é necessário primeiramente, entender que as análises aqui feitas, se formam no contexto em que a escravidão ainda perdurava no Brasil, ou seja, é necessário ter em mente, o pensamento existente na época.

A primeira visão se baseia no ideal de que a escravidão era necessária e que trazia benefícios a todos os participantes da sociedade, tendo em vista que, o trabalho escravo era produtivo e de fácil acesso a elite brasileira. O argumento utilizado a favor desse pensamento era que, devido ao fato de o país já estar acostumado a esse tipo de mão-de-obra, uma mudança seria algo que poderia afetar todas as segmentações da sociedade brasileira, e assim, a sociedade entraria em colapso. Um dos grandes defensores desse pensamento era o escritor cearense José de Alencar, que já no final de sua vida, diante das crescentes lutas abolicionistas existentes na época, se manifestou da seguinte forma: ´´A propagação entusiástica de semelhante idéia neste momento lembra a existência das seitas exterminadoras, que, presas de um cego fanatismo, buscam o fantasma do bem através do luto e ruína. Quanto pranto e quantas vidas custam às vezes o título vão por que almejam alguns indivíduos benfeitores da humanidade. ``

A segunda visão se divide em duas ideias centrais: A primeira se remete, aos indivíduos que defendem os princípios bíblicos que prezam pela igualdade dos seres humanos e pelo amor ao próximo. A segunda se baseia no princípio de que, é necessário que haja uma mudança no sistema trabalhista brasileiro, tendo em vista que, era necessário seguis os moldes Europeus e adotar o trabalho assalariado, para que o país se desenvolvesse de forma semelhante às potências Europeias.


Já a terceira visão, é destinada somente aqueles que sofreram e vivenciaram essa atrocidade, contudo, não cabe a mim falar sobre, visto que, nenhum conhecimento teórico se equipara a dor e ao sofrimento de vivenciar a escravidão na pele.

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