sexta-feira, 17 de julho de 2015

Intolerância Religiosa: uma discussão sociológica e histórica sobre o assunto!


"Nenhuma delas, contudo, é capaz de apreender, compreender e explicar tal fenômeno a contento. A religião coloca-se como metáfora do real, como o manto que encobre e encanta a realidade humana. Porém, a natureza religiosa humana existe e revela um aspecto essencial e social da humanidade (Durkheim, 1996, p. 38).

Como bem disse o sociólogo do excerto acima, em outras palavras, a existência da religião é crucial para o entendimento da sociedade. Diante disso, buscaremos neste texto perpassar pelos principais fatos históricos que refletem a intolerância religiosa desde à antiguidade até à atualidade; adentrando assim em uma discussão cheia de pormenores, em que nem mesmo o tempo conseguiu saturar as marcas de um passado turbulento. 

A partir de 1549, o Brasil passou a receber jesuítas portugueses, cuja responsabilidade era de catequizar os índios que aqui estavam. Sendo assim, alguns nativos foram mais adeptos a essa circunstância e outros não aceitaram. Inclusive, como alternativa de defesa, acabavam por violentamente reprimir os cristãos. É nessa memória história que surge no Brasil o que hoje é conhecido como "Intolerância Religiosa". 

Os nativos mais "mansos" deixavam-se influenciar pelos pensamentos cristãos portugueses. Logicamente, que a religião desses indígenas não era totalmente deixada de lado, mas muitos dos posicionamentos dos jesuítas já estavam surtindo efeito. Os nativos menos "mansos" eram catequizados também, no entanto, com um pouco mais de esforço. Veja, os portugueses não iriam deixar de cumprir sua missão pelo simples fato de existirem povos que utilizavam de sua rebeldia para não aceitarem seus princípios. Então, quando um índio se recusava a aceitar a fé cristã, ele era severamente punido e forçado a aceitar.Alguns povos conseguiram por meio da força bruta expulsar os jesuítas, mas isso não acontecia sempre.

A intolerância religiosa dos portugueses perante a religião dos aborígenes foi, sem dúvidas, o primeiro episódio de uma série que ainda tem um longo período. A partir do século XVI, com o início da escravidão no Brasil, os negros oriundos do continente africano, onde as religiões presentes eram totalmente opostas ao que predominava no mundo, vivenciaram grandes atrocidades perante seus princípios. Sendo assim, quando esses negros chegaram, o Brasil já vivia um catolicismo muito forte, o que foi extremamente ruim para esses povos. Ora, além das péssimas condições de viajem dentro de uma caravela, além das humilhações sofridas e dos maus- tratos, os negros ainda tinham que suportar o fato de que muitos senhores de terras não aceitavam o culto às suas religiões originais; muitas vezes até puniam quem desobedecessem sua ordem. Alguns senhores deixaram seus escravos praticarem seus cultos como forma de evitar possíveis revoltas, contudo o preconceito e a discriminação eram muito presentes na sociedade, consequentemente, afetando a liberdade quase que única dessas pessoas. 

Outro grande marco histórico que podemos citar como intolerante, bem mais violento que todos os outros, foi o implemento do Nazismo Alemão. As atrocidades cometidas pelos arianos iam além das conquistas de guerra, era um verdadeiro matadouro humano. Os judeus foram aprisionados em campos de concentração, forçados a trabalhar e quando suas forças já eram quase que escassas, eram mortos de várias formas, dentre elas a mais perturbadora foi a câmara de gás. Entretanto, o que isso tem haver com nossa discussão de Brasil? Tudo. Ora, com a explosão da 2º Guerra Mundial e com o nazismo imperando, o Brasil foi palco, mais uma vez, implicitamente, da intolerância religiosa. Os judeus que aqui moravam eram transferidos para os campos de concentração, bem como negros (carregando consigo seus cultos) e até mesmo japoneses (Pelo fato de serem inimigos dos EUA e também pelas suas crenças religiosas), que estavam concentrados em um bom número no estado do Amazonas. Até hoje os filhos e netos desses japoneses pedem uma ressignificação por parte do Governo brasileiro, como forma de compensar as taxações datas a essas pessoas.

Com o fim da 2º Guerra Mundial em 1945, três anos depois, em 1948, surge a necessidade das religiões cristãs de estabelecerem uma unificação, de estabeleceram um diálogo mais próximo. Esse episódio ficou conhecido como Movimento Ecumênico. Acreditava-se que com esse movimento pudessem captar apenas algumas poucas religiões cristãs, tais como evangélica e ortodoxa. Entretanto, esse projeto ganhou força e novos horizontes, não é para menos que foi criado a CMI (Conselho Mundial das Igrejas), em que cerca de 350 tradições aderiram ao diálogo e possível unificação. Contudo, essas tradições não contemplavam as religiões Afros e, por isso, a CMI tentou angariar mais voos, chamando assim, algumas tradições africanas para participar desta organização. Não há dúvidas que foi uma passo muito grande para que a intolerância religiosa fosse combalida, mas apesar dos esforços em unificar, dialogar, esse movimento acabou perdendo força ao longo dos anos e, consequentemente, foi responsável pelo aumento da intolerância no Brasil e no mundo. 

As religiões Afro- brasileiras foram extremamente impactadas com isso, não obstante que muitas tradições, como o Candomblé e a Umbanda, tiveram que "aceitar" o sincretismo religioso. O povo brasileiro historicamente é muito preconceituoso e isso reflete diretamente naqueles que escolheram as tradições Afros, pois na sociedade essa pessoa é vista com maus olhos, é vista como imagem do demônio. Então, para amenizar essa repressão social, muitos aceitavam o proselitismo presente, um exemplo disso são as comparações entre figuras importantes nas religiões Afros em consonância com as Cristãs, como Oxalá (Jesus Cristo) e Xangô (São Gerônimo).

Apesar do Estado brasileiro ser laico, socialmente, essas pessoas sofrem bastante. Conseguir uma escola que não reprima o jovem por ser de outra religião, é algo bem difícil de se encontrar. Além disso, uma pessoa que queira arrumar trabalho e seja sabadista ou que tenha outras crenças fora a cristã, muitas vezes não são contratadas e quando são, rapidamente, são demitidas. 

A intolerância no Brasil e no mundo é muito forte. Recentemente, saíram nos jornais uma polêmica envolvendo a revista satírica Charlie Hebdo e os Muçulmanos. A problemática foi tão grave que a central da revista sofreu vários ataques, tendo um vasto prejuízo estrutural. O desrespeito da revista foi nítido em atacar os princípios da religião oposta, mas logicamente que a atitude desse povo também foi incoerente. A Lei da "Ação e Reação" de Newton é viável para esse exemplo de intolerância, ao aplicar uma força contra um objeto, essa mesma força retornará para o aplicador. Portanto, luta por luta, só dará mais luta. 

A tentativa de unificar as igrejas, de tentar manter uma harmonia entre os princípios de cada um é algo bem difícil de se executar, principalmente, quando o peso histórico influi nas tomadas de decisões. Até hoje existe uma tentativa de manter o ecumenismo, o caso mais recente foi com o Papa Francisco em um encontro pentecostal nos EUA, onde na ocasião ratificou a sua vontade em ver as igrejas unificadas. Contudo, enquanto isso não ocorre, portanto, deve-se ter algumas transformações mais urgentes. A primeira é que o Estado, no caso brasileiro, deve melhorar a educação, no sentido de que ela seja efetiva no que toca ao respeito ao próximo e ao zelo ao princípios de igualdade humana. Além disso, é necessário que hajam punições efetivas com todos os preconceituosos e intolerantes, pois desta forma evitaremos maiores constrangimentos por parte das pessoas de outras crenças. Ademais, retornamos à frase de início, mas desta vez em uma parte dela: "A religião coloca-se como metáfora do real, como o manto que encobre e encanta a realidade humana". A religião deve encantar a realidade humana e não deixá-la mais turbulenta, mas para isso é necessário a implementação dos princípios de igualdade e fraternidade. 

Atenciosamente, Presidente da Equipe Atualidades de Mundo Sr. Israel Viana de Albuquerque.








3 comentários:

  1. Discordo da análise. Intolerância religiosa não é a mesma coisa que crítica religiosa como fez o jornal francês.
    Críticas são elementos fundamentais para a reflexão. "Os direitos de criticar dogmas e encaminhamentos de uma religião são assegurados pelas liberdades de opinião e expressão". Não houve desrespeito nem ódio ao grupo religioso a quem se direcionava a crítica. nÃO SE JUSTIFICA NUNCA, O ASSASSINATO DE JORNALISTAS POR MULÇUMANOS EXTREMISTAS (estes sim, intolerantes ao ponto de matar tantos, por não concordarem com o que foi dito sobre sua religião). Quem justifica tais barbaridades, contribue para a disseminação do ódio, presente na intolerância religiosa!

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    1. Realmente o assassinato não é justificável, entretanto, assim como a crítica é assegurado pela constituição, o direito de escolha e de crença também é, e nesse caso criticar pode se tornar um problema, vez que fere o direito assegurado a outra pessoa. Religião, não é algo pra ser aceito ou não, mas sim, pra ser respeitada a de cada um.

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  2. Discordo da análise. Intolerância religiosa não é a mesma coisa que crítica religiosa como fez o jornal francês.
    Críticas são elementos fundamentais para a reflexão. "Os direitos de criticar dogmas e encaminhamentos de uma religião são assegurados pelas liberdades de opinião e expressão". Não houve desrespeito nem ódio ao grupo religioso a quem se direcionava a crítica. nÃO SE JUSTIFICA NUNCA, O ASSASSINATO DE JORNALISTAS POR MULÇUMANOS EXTREMISTAS (estes sim, intolerantes ao ponto de matar tantos, por não concordarem com o que foi dito sobre sua religião). Quem justifica tais barbaridades, contribue para a disseminação do ódio, presente na intolerância religiosa!

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