quinta-feira, 9 de julho de 2015

Libertação dos escravos nos EUA e no Brasil, igualdade ou utopia?


O significado da palavra escravidão pode denotar vários resultados, dentre eles o Dicionário Aurélio destaca: "Cativo, o que vive em absoluta sujeição a outrem" e "Súdito de um tirano". É bem verdade que essa submissão forçada para trabalho, mesmo que não receba àquela designação, é refletida pela história desde os tempos mais confins até os dias atuais. Entretanto, para entendermos o assunto de hoje, faz-se necessário compararmos dois momentos similares, porém paralelos no que toca ao resultado final de ambos os casos; a libertação dos escravos nos EUA e no Brasil tomaram rumos diferentes, apesar de que a pena utilizada para escritura desta história tenha sido a mesma.

O sofrimento que um negro, índio, mulato e escravo branco sofriam entre os séculos XVII e XVIII foram extremamente similares, apesar de em algumas regiões os maus tratos terem sido ainda mais intensos. Sendo assim, entramos em um discussão que permeia diferentes visões, haja vista que a história não pode ser descrita com clarividência, no entanto, podemos melhorar sempre a reconstrução deste quebra- cabeça. 

O tráfico negreiro para as regiões da América Espanhola, Inglesa e Portuguesa foi muito intenso durante séculos, porém, ao longo dos anos, com o desencadeamento de novos sentimentos opulentes, como também de conflitos, os negros aos poucos foram angariando mais direitos para eles. Diante disso, adentramos efetivamente no ponto de vista clímax deste texto, tendo em vista que esse "ganho" de direitos para os escravos não aconteceu de forma igualitária nas diferentes colônias da América.

Os Estados Unidos, dividido economicamente entre norte e sul, utilizou da mão de obra negra e indígena para a realização de trabalhos que eram rentavelmente importantes para o desenvolvimento tanto do senhor fazendeiro, quanto da nação. Perante isso, o norte, apesar de ter escravos, foi o primeiro a ter o sentimento de mudança, visto que suas relações comerciais com a Inglaterra e com outros países europeus eram bem mais consolidadas, o que de certa forma fez com que o pensamento dessas nações, virulentamente, influíssem no olhar daqueles cidadãos. Entretanto, era muito difícil mudar ou acrescentar legislações de modo que atingissem toda a população (norte e sul), haja vista que apesar de morarem na mesma nação os interesses eram um tanto divergentes e, por isso, a maneira que os norte americanos tiveram para dar mais condições de liberdade ao escravo foi criando "pequenos" direitos à essas pessoas. Dentre eles destaca-se: "Cláusula dos três quilos" (poderia ser considerado como pessoa, mas valendo 3 vezes menos que um homem branco). 


Talvez você esteja se perguntando, mas por que o norte queria acabar com a escravidão quando a permanência dessa era algo bem lucrativo? Ora, é como foi citado acima, a opulência do norte era ainda mais diferenciada, pois eles tinham mais influência dos países europeus, que justamente estavam buscando cada vez mais a industrialização. Sendo assim, o norte após ganhar mais força política e militar, como também após a inclusão do "Bill Arberdeen" (Captura de embarcações negreiras por parte dos Ingleses), fez com que o sul tivesse que iniciar uma batalha pela garantia deste sistema de trabalho, cuja série foi chamada de "Guerra de Secessão". 

Após a vitória do norte perante o sul, as autoridades americanas resolveram estipular políticas públicas que viabilizassem a inserção do ex-escravo na sociedade, tais como a oferta de pequenos lotes de terras para que o mesmo pudesse plantas e assim sobreviver, como também o direito a voto e a respeito pela população majoritária branca. 

Certo, mas aonde está o Brasil nesta história toda? Está justamente no fato de que apesar da escravidão ter sido muito parecida em termos de trabalho forçado, torturas e lucratividade, o término de cada ciclo foi diferente. Veja que os EUA deram assistência para esses libertos, no entanto, o Governo Brasileiro simplesmente aboliu a escravidão em 1888 e não criou NENHUM direito para esses ex-escravos. Não é para menos que a exclusão social no Brasil foi muito mais forte! É claro que essa exclusão também houve nos Estados Unidos, contudo foi de uma forma bem menos intensa, tendo em vista que esses homens livres tinham bem mais direitos garantidos pela Constituição. 

Assim, a marginalização do negro -principalmente -foi uma das grandes consequências desse erro político no tocante ao assistencialismo. A plenitude de um futuro melhor é sempre esperança de todos, seja rico, pobre, branco, negro, índio etc; entretanto, para os libertos da escravidão no Brasil a frase de Martin Luther King: We shall overcome someday” [“Um dia vamos superar”] é bem mais válida porque a essência do negro foi bem mais viva na história do Brasil do que na dos EUA. 

Uma temática como havia mencionado bem delicada, mas que merece sua escritura, afinal o preconceito, a escravidão no século XXI e as várias formas de exclusão social são reflexos, em parte, destes acontecimentos históricos que permeiam tanto nossas vidas, mas que por vários fatores deixamos entrarem no esquecimento. A Equipe Atualidades de Mundo espera que tenham gostado do texto e aguardamos vocês comentários, sejam para críticas ou elogios! Obrigado.

Atenciosamente, Presidente da Equipe Atualidades de Mundo Sr. Israel Viana de Albuquerque. 







Nenhum comentário:

Postar um comentário