quinta-feira, 9 de julho de 2015

O humor politicamente incorreto: um combustível de preconceitos.

           
                                     (Imagem tirada do documentário "O riso dos outros.")

             Muito antes de certas pessoas terem noção do que é identidade racial e de gênero, elas já sabiam que o negro tem “cabelo ruim” e é “mal encarado”, ou que a homossexualidade é pecaminosa; isso porque os preconceitos são cultural e naturalmente implantados em nós, fortalecendo-os. E é a partir dessas concepções historicamente enraizadas na sociedade que as piadas do humor politicamente incorreto são feitas, utilizando-se de grandes meios de massa para disseminarem preconceitos sob a prerrogativa de que é apenas a utilização da liberdade de expressão.

 A utilização desse humor “politicamente incorreto” é histórica, o pesquisador e professor universitário Marco Aurélio Ferreira da Silva em seu livro “Humor, vergonha e decoro na cidade de Fortaleza (1850-1890)”, analisa a sociabilidade na cidade cearense a partir do uso do humor como forma de moralizar e excluir certos costumes na sociedade. O escárnio como ferramenta de tentativa civilizatória, influência da Belle Époque, era uma maneira eficaz de moralização social e, consequentemente, deu continuidade a um ciclo de preconceitos presente até hoje.

Como o comediante Danilo Gentili disse em entrevista ao documentário “O riso dos outros”: “Minha pretensão com a comédia nunca é denunciar, nunca é nada. É só destruir mesmo.” Ridicularizar é a base desse tipo de humor transgressor, é tornar ridículo o fato de ser negro, gay ou mulher, reproduzindo e alimentando preconceitos que, apesar de maioria serem criminalizados, estão presentes no cotidiano de qualquer cidade.

            Enfim, esse tipo deplorável de humor deve ser repreendido, os órgãos judiciais precisam analisar as piadas de cunho discriminatório e julgar os reprodutores, para que uma piada sobre um caso de estupro não venha a se tornar motivo de riso. Dando lugar a um humor inteligente e sagaz, satirizando os opressores ao invés dos oprimidos e promovendo uma reflexão profunda acerca da sociedade.

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