terça-feira, 7 de julho de 2015

O racismo é um sujeito furtivo, dá a ilusão de que está diminuindo, mas sempre esteve ali. #Somostodosridiculos

                                                ( imagem feita pelo cartunista Carlos Latuff)

            No século das relações humanas voláteis, as redes sociais mostram uma nova forma de expressar empatia por uma causa. O crescente uso das “hashtags” como forma de mostrar posicionamentos é a confirmação da hipocrisia dos usuários. Enquanto jovens negros são sistemática e diariamente assassinados, a massa populacional mobiliza apenas os dedos para teclar.

           O recente caso da meteorologista Mária Júlia Coutinho, conhecida como Maju, revela a incoerência dos vários manifestantes virtuais, pois se reúnem no cyberespaço para expressarem o repúdio coletivo ao racismo e, em contrapartida, no cotidiano, não questionam o fato de que os negros não estão sendo bem representados nos canais midiáticos, não reconhecem os efeitos da escravidão e são contra a aplicação da lei de cotas, pois desestrutura a sociedade racialmente igualitária.

             As marcas da escravidão ainda tangem vários rumos na sociedade brasileira atual, a abolição inconclusa de 1888, cuja não apresentou nenhuma medida que garantisse a autonomia desses ex-escravos, acabou que por marginalizar os negros e seus descendentes. Desse modo, as barreiras construídas pelo preconceito racial e socioeconômico tornam a ascensão do afrodescendente uma exceção.  

            A criminalização do racismo, com a promulgação da Constituição Cidadã em 1988, teve um grande impacto social, a partir disso, construiu-se um racismo velado, furtivo, que prolifera o ódio na prerrogativa de que não existe preconceito algum, afinal, a democracia racial está consolidada, não é? Esse mito da democracia racial baseia-se na ideia de que a miscigenação tornou o país multicultural, extinguindo o racismo. A partir disso, nesse raciocínio, o preconceito racial se tornou um fantasma na sociedade, sendo inexistente até mesmo nas brincadeiras injuriosas e piadas já prontas feitas pelo humor politicamente incorreto.

            

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