terça-feira, 7 de julho de 2015

Ué, a escravidão não acabou?!


Hoje, dia 7 de julho de 2015, logo após vários incidentes no país, tais como: paralisação das atividades dos motoristas de ônibus em Fortaleza-CE, aumento das contas de energia como causa dos endividamentos de uma grande parcela da população etc; um homem- negro- foi tentar furtar um bar localizado no Jardim São Cristóvão em São Luís do MA, quando por ocasião do destino foi interrompido pela população local. Diante disso, umas das realidades mais bárbaras e cruéis que um ser humano- não fazendo julgamento aos seus atos- mas analisando a essência de vida, de corpo, de um mamífero dotado de uma das maiores armas que se pode ter, o raciocínio; foi coagido em público, de modo que foi amordaçado em um poste que havia na rua, sendo que além de espancado, chutado, humilhado, ferido, foi deixado despido para que todos pudessem fitá-lo.

Em relação a este assunto você talvez argumente que nosso Blog está tendo uma visão de "pena" perante um bandido, de "defesa" perante um ser ilegal. Entretanto, não estamos tentando julgar causa a causa, afinal não somos a justiça e, por isso, não nos é própria tal designação, no entanto, temos que ser diretos no que se refere a história. Ora, a criminalidade no Brasil que todos os dias os jornais falam é totalmente direcional às lembranças de um passado mal reciclado.

Após a abolição da escravatura em 13 de maio de 1888, os negros alforriados, tão alegres e saltitantes, logo tiveram suas feições alteradas e os sentimentos? devidamente maltratados. Isso acontece porque houve um erro grave por parte dos responsáveis na libertação dos escravos, que foi justamente a não concretização de uma política que ofertasse aos negros a possibilidade de inserção na sociedade patriarcalista brasileira. Diante de tal fato, essas pessoas, depois de anos escravizadas nas lavouras, nas jazidas de minério e nos trabalhos de ganho; foram participar, contra sua vontade, da escravidão pela sobrevivência, pela escravidão social. Agora, livres, sem empregos, sem moradias, comidas, roupas e apoios de quem quer seja, essas pessoas teriam a cara e a coragem para que essa liberdade ao menos lhe custasse um conto de réis. Contudo, dessa grande maioria, muitos morreram por não terem condições e oportunidades para sobreviver e outros tantos encontraram uma saída fácil, rápida e de sucesso pleno; refiro-me aos furtos, aos assassinatos por bens, aos sequestros de pessoas ricas.

Assim, a criminalidade que hoje é alvo de críticas para todo político que entra no governo- não querendo isentá-lo de culpa-  mas é notório que isso é um erro do passado que ainda é irradiado até os dias atuais. Certo, mas o que isso tudo tem a ver com a reportagem citada no início deste texto? A grande cereja do bolo que quero apresentar é que mesmo depois de anos de libertação dos escravos, depois de políticas de inserção do negro na sociedade, mesmo depois de novas gerações com uma educação bem melhor do que antigamente, ainda assim, o reflexo desse passado turbulento ainda bate na porta de nossas casas por meio dos noticiários.

Veja: Um homem negro, cometendo um ato ilegal e sendo julgado pelas mãos de "senhores" preso a um poste. Isso lembra o que? Exatamente o que está pensando.

Não defendo o erro dele em tentar roubar um bar, afinal isso é ilegal, mas também não concordo com a punição deferida sobre ele, até mesmo porque além de ser algo também ilegal, isso contamina ainda mais na sociedade um sentimento antigo, um tanto velado, mas que ainda está lisogenicamente em cada ser humano. Diante disso, as autoridades responsáveis, políticos, cidadãos e órgãos de segurança, devem, cada um, responder pelas suas responsabilidades. A política, meio detentor do poder formal (Autoridade) e efetivo (Aquisitivo), precisa fazer uso da máquina pública com mais mãos de mãe, para que assim o sistema carcerário seja eficiente, como também a segurança pública seja garantida em todas as esferas sociais. Além disso, a educação, cuja estrutura física (Estrutural), quanto química (Qualitativa, atrativa, inovadora) são primordiais para o desenvolvimento de um sentimento mais harmônico em sociedade; alcançando assim a pacificidade. Entretanto, a responsabilidade é só do Governo? Não. Cabe a população denunciar, de forma mais efetiva, os casos de assaltos, cabendo também a segurança pública atender quando solicitado, como também a população, rica em princípios familiares, disseminar a ideia para seus filhos de uma sociedade mais justa, igualitária, que luta efetivamente por seus direitos. Quanto a esses casos, a população deve fazer justiça com suas próprias mãos? A resposta é não. Afinal, já dizia a 3º Lei de Newton "Ação e reação", "caso uma força seja aplicada perante um corpo, essa mesma força será retornada ao aplicador". Sendo assim, bater, agredir, lutar como forma de "mudança, só trará mais bandidos e casos como este citado para a sociedade.

A discussão é ampla, é bem verdade, mas nossa Equipe está disposta a ouvir elogios e críticas, primando sempre pela livre escolha de posicionamento. Agradeço a todos que comentarem e entrarem nesta discussão tão calorosa. Abraços.

Atenciosamente, Presidente da Equipe Atualidades de Mundo Israel Viana de Albuquerque. 

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