sábado, 1 de agosto de 2015

Mulher: uma construção midiática e cultural?


A historiografia sempre esteve em constantes mudanças de paradigmas. No entanto, por muitos séculos a escrita da história apresentou-se como algo sexista e excludente.  Um silêncio sobre a participação das mulheres em diversos fatos históricos importantes perdurou como forma de opressão. Somente em meados do século XX que inciou-se uma série de buscas para escutar as vozes de grupos minoritários esquecidos pela historiografia.
            Sendo raramente representadas em pinturas de guerras, as mulheres sempre foram presentes em diversas batalhas históricas. Durante o período revolucionário francês, várias mulheres pegaram em armas para lutarem em prol das mudanças, segundo documentos da época o mínimo de 80 guerrilheiras fizeram parte dessa revolução. Entretanto, após as guerrilhas, muitas tiveram o pedido de pensão para ex-combatentes negadas, pois “eram mulheres”, mostrando que o Exercito não reconhecia oficialmente a participação feminina nas lutas armadas.
            A opressão às mulheres é secular, está presente desde o momento em que foi definido o conceito de “gênero”, definir o que é homem e mulher não só separou biologicamente os dois, mas também impôs os papeis sociais de cada um e, consequentemente, estabeleceu a dominância de um sobre o outro, ou seja, a construção do gênero não é somente uma questão biológica, mas também política, social, e cultural. Além disso, há vários discursos que legitimam a desigualdade de gênero, como a mitologia, a religião, a ciência. Os mitos da Grécia antiga contam que, devido a uma curiosidade particular do sexo feminino, Pandora abriu a caixa e espalhou todas as desgraças pelo mundo; as religiões judaico-cristãs relatam que a expulsão do paraíso é culpa de uma mulher, Eva. Durante a primeira metade do século XX, vários estudos foram feitos no intuito de atestarem a debilidade mental da mulher, chegando a dizer que a mulheres não devem praticar esportes com contato físico, e que deveriam se preocupar com a vida caseira e materna, criando um controle sobre o corpo de homens e mulheres, procurando a conformação da sociedade e a legitimação de um discurso estatal muito comum no Brasil durante as décadas de 30 e 40.
            Normalmente os canais midiáticos procuram, ao retratar do universo das mulheres, construir uma imagem feminina sustentada nos pilares da beleza, sensibilidade e subserviência, implantando estereótipos que dificultam ainda mais o desenvolvimento da identidade feminina. A partir dessa criação imagética dos aspectos femininos, pode-se perceber que a misoginia e a homofobia mostram-se entrelaçadas e relacionadas diretamente ao machismo, pois muitos casos de homofobia contra homens homossexuais estão atrelados ao ódio às características consideradas femininas (fragilidade, delicadeza etc), justamente pelo fato dos homofóbicos entenderem a figura do gay como uma figura feminina e, logo, tratam-os como inferiores.

            Enfim, apesar da sociedade brasileira ter evoluído em reconhecer a violência contra mulher como algo comum e ilegal, ainda há uma forte presença das práticas misóginas no cotidiano. Diante disso, faz-se necessária uma serie de reformas políticas e educacionais em busca da inclusão feminina em diversos ambientes e cargos. Definir o papel desempenhado  historicamente pela mulher,  estudando a construção da identidade feminina e mostra as consequências da emancipação feminina. Além disso, estimular o empoderamento das mulheres é um grande passo para garantir a equidade de gênero.

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