sábado, 4 de fevereiro de 2017

Resenha: Variações sobre o prazer, por Rubem Alves!

 

Título: Variações sobre o prazer
Autor: Rubem Alves
Editora: Planeta 
ISBN: 978-85-7665-567-1
Ano: 2011
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"Este livro traz a você, leitor, uma proposta: que tal se o prazer, em todas suas variações, se tornar o âmago de sua vida? Afinal, o paraíso é a exuberância do prazer. Os poemas da Criação sugerem que Deus criou o universo infinito só para nele plantar um pequeno jardim de delícias. Depois do trabalho de cada dia, diz o poeta, Deus parava, contemplava, sorria e dizia: "Ficou muito bom..."

Ao ler as páginas deste livro você se descobrirá caminhando ao lado de santo Agostinho, do revolucionário Marx, do filósofo Nietzsche e da cozinheira Babette. Personagens, reais ou fictícios, que viveram desfrutando do que acreditavam. Eles têm muito a nos inspirar. Deixe-se perder nas páginas deste livro e descubra as diversas variações sobre o prazer."

Rubem Alves é um escritor fantástico! Suas palavas são límpidas e repletas de profundidade. A filosofia, sem dúvidas, é o alicerce desta obra. Autores como: Nietzsche, Marx, Gaston Bachelard e Babette aparecem constantemente em suas citações, oferecendo-nos uma bibliografia respeitável. O livro apresenta as diversas variações sobre o prazer conforme elenca seus argumentos, o que é muito bom para aqueles que não estão acostumados com a interpretação de pesamentos filosóficos ou aqueles que não apreciam essa categoria. Dessa forma, Rubem Alves permite que o conhecimento que quer apresentar fique acessível à todos que buscam ter prazeres ao longo da vida. 

Entretanto, de imediato, imaginamos que esta obra funciona como uma ferramenta de ensino, a fim de nos proporcionar as orientações mais precisas de como ter prazer na vida. Contudo, o autor não objetiva isso, a maior lição que ele nos oferece é a liberdade. É isso mesmo. Ele quis com este livro escapar das amarras do academicismo, de modo a clarear nossa visão sobre os prazeres que existem, e que os temos, sem necessariamente buscá-los. 

Um ótimo exemplo é a comparação com as cozinheiras. Essas pessoas fazem comidas excelentes, acrescentam alegria todos os dias em nossas vidas, nos mantém saudáveis, embora,  elas não anseiam por isso. Simplesmente cozinham. Entretanto, as pessoas estão mais preocupadas com as receitas, com o famoso "tempero", com as técnicas utilizadas, com o tempo de preparo, tudo isso, em razão da busca pelo prazer da comida saborosa. Sendo que, de fato, o prazer está bem distante disso. Para Rubem Alves, o que faz uma cozinheira ter prazer é: sua resposta pela comida feita. Quando vamos para a casa de nossos avós, nós temos uma sensação muito boa. É a melhor comida. Você devora tudo, no entanto, sua avó só quer algo de você: sua felicidade em dizer que ficou satisfeito e que só não comeria mais porque não conseguiria. Ou seja, o prazer consiste em não se preocupar com os fins da comida ou com o que ela pode oferecer, mas consiste justamente na ocasião. Muitas vezes a comida não tem nada de especial em comparação com as outras, apenas é da vovó ou do vovô. E é isto que importa. Ninguém precisou fazer um estudo aprofundado de como existe prazer em se comer, você só comeu e pronto. 

O aforismo de Guimarães Rosa: "O que um dia vou saber, não sabendo, eu já sabia...". Uma verdade belíssima, você não precisa buscar a fórmula do prazer, e por mais que não descubra, você já conhece, pois está em você; nas coisas do mundo. O autor fala claramente que, quando adultos, ficamos cegos. Afinal, quem vê realmente o mundo são as crianças. Elas enxergam com anseio, olham tudo pela primeira vez, e por mais que elas não entendam que é um momento de prazer, elas já o conhecem. 

É um livro fascinante, meus caros, porém, eu aconselho a lerem após terem um pouco de conhecimento prévio sobre os autores que ele citara. Isso ajudará bastante no entendimento de alguns raciocínios. Quando eu estava lendo, tive que parar a leitura diversas vezes para saber um pouco sobre cada um deles. Caso não façam isso, estarão lendo palavras e não saberes. Só tenho que parabenizar o trabalho fantástico feito por Rubem Alves e também agradecer por ter escrito um livro que insere as cozinheiras, a cozinha, os alimentos, que até então eu só lia como referências ou como preciosismos de autores diversos. Lembrar dessas pessoas foi algo que honrou ainda mais a obra. 

Espero que gostem, boas leituras a todos e nos encontraremos no próximo domingo com mais uma publicação. O livro termina sem término, provando mais uma vez essa liberdade que o autor quis transmitir. E um ensinamento que levo para a vida: "Meu Deus, me dá cinco anos, me dá a mão, me cura de ser grande", disse Adélia. 

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